segunda-feira, 13 de abril de 2009

Gary

 Era um dia comum, em minha antiga casa. Uma sensação ruim passa por mim, um vento que congela a minha espinha, assustei-me. Estava eu em meu quarto, sozinha. Pressenti uma ventania que logo se iniciou, corri até a sala e gritei para que as pessoas presentes na casa a fechassem. Passei então pela cozinha onde estava a empregada lavando louça. Neste momento senti-me presente em espírito apenas, observei um homem conversando com a empregada que o olhava com maldade, eram más pessoas e pretendiam fazer algo, eu vi isso em seus rostos. Falaram alguma coisa que não recordo, apenas três frases diabólicas.  Voltei ao meu estado normal, senti-me em meu corpo novamente. Caminhei apressada até o quarto de meu irmão e vi Gary com suas mãos na grade da janela, ele estava fora de casa. Essas três pessoas eu nunca havia visto antes.  Conversei com Gary, que se mostrou simpático e alegre. Fitei o céu sobre as árvores do campo que estavam atrás dele. Apavorei-me ao perceber que haviam nuvens negras descendo do céu, como se encostassem no centro das árvores, era um negro terrível. Atrás das nuvens avistei uma luz semelhante ao pôr do sol. Logo a ventania tornou-se agressiva, o que me fez apressar Gary para que entrasse em casa depressa. Ao tentar tirar suas mãos da grade elas pareciam coladas, com certo esforço ele conseguiu soltar-se. Senti que de alguma forma ele corria risco, então desesperada corri ao encontro dele antes passando pela sala, subi no sofá e pulei a janela que dava para a garagem, logo cheguei a uma peça que dava para o pátio. Ao chegar o vi de costas para mim, seus joelhos no chão. Pensei que houvessem decepado sua cabeça e que ela cairia ao chão no menor movimento de seu corpo. Porém, não foi o que aconteceu. Gary olhou-me inexpressivo, virou-se caindo no chão, morto. Seu rosto ensanguentado. Gritei o mais alto que pude. Acordei.

4 comentários:

  1. O clima onírico deste conto é profundo e perturbador, deixando-nos uma sensação de estranheza e de insanidade. Mais uma incrivel página da Micheli!!!

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  2. Luiz Filipe Macedo13 de abril de 2009 20:14

    Me senti lendo uma leitura obrigatória, pela forma de linguagem. Se teus contos fossem leituras obrigatórias, eu as leria com prazer. Parabéns Micheli! ♥

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  3. Uma bela e sufocante narrativa que mais uma vez confirma o teu maravilhoso dom de escrever!!! Adorei!

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