terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Altivez

Confesso não saber usar as palavras, 
e é incrível a forma como procuro ser mais. 
Talvez eu não conheça meus limites 
ou quem sabe eles não existam. 
Sou sempre menos do que posso ser. 
Tola e indecisa me escondo 
dentro do meu Eu.
Rastejando em meu chão fecundo 
de onde nascem minhas angústias. 
Deitada, beirando a loucura, 
pergunto-me: por que meu mundo é tão deprimente? 
Por que me apego a ele com tanto gosto? 
Desperdiço minha felicidade em busca de mais dor. 
Entretanto o que me mata é o que me faz forte, 
meu orgulho.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Matéria Sobre a Família Dominic. Por Renè L. Beauveau

Dez e meia da manhã quando a senhorita Julliet Rolmfield chega à residência de Sarah Dominic - sua paciente. Sarah que sofre de depressão recebe semanalmente Julliet para avaliação psicológica. Sarah tem dois filhos: Henry (idade 21) e Annemarie (idade 13). O primeiro fato estranho deu-se quando Julliet encontrou a mansão vazia, não havendo nela móvel algum! O fato aterrador foi o pó em demasia presente nos aposentos, como se a casa houvesse sido abandonada há décadas. Assustadoramente a sala principal estava impecável e nela constava um piano preto, as paredes estavam cobertas por espelhos de variados tipos e tamanhos, o chão coberto por lençóis brancos de seda fina, incrivelmente podia-se sentir um aroma doce - um tanto irritante - naquele local. Sobre o piano foi encontrada uma carta, sua folha era antiga, portanto frágil e delicada podendo rasgar-se com facilidade. O perfume vinha da carta, uma carta-suicídio escrita pela menina Annemarie.
Julliet afirma ter visitado Sarah semana passada e ressalta que seu estado psicológico estava incrivelmente bem, seus filhos aparentavam apenas cansaço - o que definiu como falta de horário para dormir. Annemarie como sempre a tratou com perfeita atenção e alegria, não demonstrando preocupação ou intolerância sobre aspecto algum. Os vizinhos afirmam haver visto a família nos horários costumeiros não percebendo nada fora do comum. 
A casa foi revistada por policiais que teorizaram sem chegar à conclusão nenhuma. Foram contratados detetives do melhor escalão para a procura dos membros da família, porém, não há pistas. O delegado Albert R. Daan ordenou que cartazes fossem espalhados pelas cidades vizinhas e que o aviso de procura fosse entregue para os delegados de todas as cidades do estado, posteriormente do país. Mas Albert não crê na possibilidade de que estejam longe, porquanto foram vistos ontem ao tardar do dia. Os detetives acreditam na possibilidade de seqüestro, mas, como explicar o estado da mansão? Seriam necessários no mínimo quatro caminhões para a retirada dos móveis e objetos, e quanto ao pó e a carta? Este é realmente um mistério absurdo capaz de enlouquecer sãos e reavivar dementes.
Carta-suicídio, por Annemarie Dominic.
Hoje me dei por conta, estamos todos deprimidos! Minha mãe sofre de depressão desde seus 20 anos, hoje com 50 é alguém solitária, sendo assim, meu irmão carrega seus lamentos e reclamações. Ele trabalha durante o dia e quando chega deita-se e dorme não se alimentando bem ao se levantar. Quanto a mim, sorrio bastante, ao ponto de perceber o quão infeliz sou. Amanhã é natal - o dia mais melancólico do ano - e como sempre iremos para a residência de meus avós. Antigamente toda a família costumava se juntar lá. Ríamos e éramos alegres, hoje, ah, não sei como será, talvez cada família em sua casa. 
Ontem, deitei-me no chão de meu pátio, observei as nuvens e pela primeira vez não consegui acompanhar seus movimentos, era como se elas parassem ao perceber que eu as fitava. Fiquei triste por ver poucos pássaros cruzarem o céu, porém, alegrou-me ouvir suas cantorias mesmo ao longe, emocionei-me também com os barulhos dos cavalos - meu animal preferido - presentes no campo ao lado, tão livres e despreocupados! 
Realmente meu maior motivo para desejar a morte é saber que minha vida é vazia e meu coração cheio de coisas ruins. Bebo então um dos vinhos deixados por meu pai quando ele partiu, nesse vinho doce saboreio meu fim. Se tiveres alguma dúvida sobre algo, pense no Vazio Infinito que sonda a humanidade..

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A Alma de um Corpo

Talvez não mais me importe o quanto exigirão de mim, por melhor que esteja nunca é o bastante. Contudo ainda gosto de contemplar meu corpo juvenil perante o espelho, apesar de nem sempre eu gostar do que vejo amo ser assim e não me machuca o fato de dizerem o quanto sou magra ou que sou assim porque quero. há quem menospreze uma garota por esta não ter tantas curvas "essenciais" para a satisfação de um homem, porém, algum destes homens vê além? Aprendi a apreciar com olhos de alma e não somente com olhos de carne, aprendi que os homens vêem apenas seu próprio prazer em nós mulheres, garotas, genitoras. Entendi que meu prazer será vastamente completo mesmo se só um homem me apreciar com olhos de alma, afinal, sinto-me como um ratinho lançado a mil cobras famintas, tantas vezes sinto ser um corpo sem cérebro a qual teria mais serventia vulgarizando-se que aqui clamando por respeito. Mas basta que um me aprecie da forma mais bela para que eu crie coragem de enfrentar..

Verdades Incompreendidas

Na verdade nem sempre as verdades me fazem feliz, não as que digo. Absolutamente insegura me refugio em meu medo de não ser compreendida, pois nunca sou. Digo 'nunca' sem dúvida do seu significado. Há pouco assisti a uma cena de suicídio e admito me sentir confortável com a idéia. Como viver se as pessoas que amo ao menos tentam me entender? Desde o princípio este sempre foi o problema, talvez o único. Oh geração antiquada, por que é difícil aceitar as mudanças? E ainda cobram compreensão de nossa parte! Quanta ironia. Sou adolescente, normalmente rebelde e apaixonada, cheia de idéias e pensamentos que me acompanham fazendo-me lembrar que ainda há um futuro para eu viver. Ainda há! Ainda há! Um futuro liberto..
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